sexta-feira, 3 de abril de 2009

Sol Lunar


E um Vale perdido,
a esmo, enlouquecido
parecia vencido, sem sentido.
Só, sem medo, dia sofrido.

Um dia, uma noite,
a vida era um coice.
Remetendo à morte,
empunhando tua foice.

Um vácuo com som,
linhas paralelas se encontrando.
O mau, sendo bom.
O que saía fora, foi entrando dentro.

Curado, descansado,
mergulhando na vida.
Nesses velhos dias, não fico parado...
Agora, a vida parece engrandecida.

Sabor de café, cheiro da manhã
peito cansado, coração batendo.
suor de alegria, tarde nostálgica...
Boa noite.

Espírito Sereno

A vida tomando um novo rumo. Marés de azar cada vez mais curtas, e novas oportunidades surgindo.
Eu achava que a pressa me faria bem. Correr atrás, desgastar minhas pernas, fatigar o corpo, e usar o oxigênio ao limite. Em partes, digo que funcionou... mas parece que naqueles objetivos mais simples, nos quais eu caminhei lentamente e, pacientemente, aguardei pelo momento, os efeitos foram maiores.

É como colher frutos aos poucos. Eles não estarão tão maduros, e você deverá colher um a um, até crescer mais. Isso, representa a pressa.
Agora, se você aguardar até a época certa da colheita, você colherá muitos frutos. Dos doces, e maduros.

Aqueles tempos que eu desacreditava em mim, e um vazio corria por meu corpo, fazendo com que o sangue atroz e veloz de minhas veias, se tornasse espesso e lento.
E, tomado pela desventura, e pelo desalento, minha vida andava... mas em passos tortos, e sem direção certa. Preguiça de decidir um rumo. Preguiça de se comprometer. Fútil.

Tudo desandou.

Mas, enfim, aquilo esvaiu-se como fumaça ao vento. A água turva, tornava-se potável.
Insípida, inodora, incolor.
O "sujo" havia sido filtrado. Eu poderia decidir meu rumo. Completamente limpo.
Foi o que fiz. Sem esperança, mas eu tinha a vontade ao meu lado.
E rendeu. Me comprometi. Tornei-me outra pessoa.

Dia a dia, eu estava cada vez melhor.
Desânimo? Estar lá me animava. Eu sou obrigado a estar animado... senão, perco minha liberdade.

Olhe para frente, para cima, para os lados... enquanto estiver parado, raramente olhe para baixo.

A paisagem está a sua frente.

12 minutes

Tempos, em que o nada dominava, e "tudo" era pouco.
O excesso, feria; a escassez, era sinal de alegria.

Contaminava a todos... estavam satisfeitos.
Homem por homem. Todos eram eleitos. Todos podiam. Todos, eram iguais.
Talvez, se não fosse por essas semelhanças, viveriam na individualidade. E quando morressem, morreriam solitários.

Por um lado, ou o mau prevaleceria, ou tornava-se neutro.
E aconteceu. A individualidade surgiu.

Acordar cedo, cumprir tarefas, ser obrigado a dormir e comer.
Aquilo importava? Pra ele? Pros outros?
Não.

Quem se importava, ficava preocupado, não dormia por sentir culpa. Morria mais cedo... por outro.
Perder-se-ia num oceano de mentiras, e dor. Viveria a mercê de uma obrigação, que era um direito.

Então... pergunto: "Por que se preocupar? Pra que importar-se?".
Nenhum deles responderia, embora todos discordassem.

Eu até entendo. A vida é um triângulo isóscele.
A maioria, é igual. Somente um lado, é diferente... contudo, não é errado. Pode complicar a vida, pois, o fato dele ser diferente, torna-o mais complicado. Mais complexo ao ver dos comuns. Portanto, ele é simples.

Só que, a vida não é um cálculo. Alguns, não tem fim. E eu, desacredito no conceito de "infinito".
A vida, tem fim. E o fim, não pode ser digno. Não se morre com dignidade... se VIVE com dignidade.
O fim da vida, é a morte. A partir dalí, não sabemos como será o começo, meio e fim... da morte.

O fácil de uns, é o complexo de outros.
Tudo é simples... contudo, tudo é relativo.

sábado, 21 de março de 2009

Blood Tear

Me senti perdido, por um momento.
O pânico invadia, não conseguia pensar. Meu corpo ainda movia-se, mas minha mente havia sido paralisada. Era como se minha alma tivesse parado ali, e meu corpo continuasse caminhando.

A música em meus ouvidos. Não, não conseguia escutar. Eram só chiados, ruídos...

"Eu não fiz aquilo" - uma parte refutava.
Tentava negar. Não era possível.
Cada vez mais, eu aceitava e lembrava. Cada vez mais, eu sentia uma dor invisível.
Tanto que tentei evitar, tanto que tentei amenizar. Fui pego de surpresa.

Por um dia, fui perturbado. O fim dele, fez com que a agonia esvaísse.
A dor, sumiu.

Voltei a mim, mas cometi um erro. O que me protegia, atacou-me.

Meu olhos mais abertos, minha confiança abalada novamente.


Seguindo, e pisando sobre os calos abertos...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Wind

Lack of time. Excusing, laughing, looking... no one, at nowhere.
Lost in words, lost in time, lost in myself.
Everything... too obsolete. Nothing.

Just with a shock, I realized. Dreams can't be true, and nightmares too.

Missing the breeze, running from my dreams and nightmares.
Someone, something... taking it from me.

Cold blood, cold mind. Missed that too.
Not totally, I recognize.

Freedom feeling... almost licking the perfection.

Alone... in time.
I'm free again.
Someone, or something will be subtracted from my life... but, some prizes will come.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Freedom without chains.

Everything makes me a prisoner.
Dreams, people, the air... even myself. Death is a cure, death is freedom.

But if we try to be free in Life? Be free for a moment... like happiness.
A free breath, freeing the air; a free fall, feeling the gravity, controlling our lives.
And say: "I can fall, but I can't die!". Believe that, free that.

A free walk with free time. Free movements, free words! Your mind and body are now free.
Free your feelings. Emotion and courage! Rage and hate! You can do anything. Your mind can.

Too high? Climb it!
Too deep? Fall in!
Fear isn't you ally. But you can free him.

Love can't control you anymore. Hate can't. You can control yourself.
Choose suffer? Love and hate are options. You can scream, loud and clear: "I want love!", and then, you will love.
Tired of love? You can sigh, slow and deeply: "I don't want it anymore!" and then... love will vanish.

You own yourself. That makes you not completely free.
"But... why?" - you ask.
While alive, your soul is stuck in your body. Chained in your body. Attached to him.

Don't think.
Be free while you can.
Free moves, free fresh air... a free run to a painful life/death.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Pudim de carne


"A volta à realidade." Soa tão engraçado... poderia iniciar esse pequeno texto, com essas palavras.
Mas, não. Soa estúpido quando meus olhos lêem isso, enquanto focados no realismo.

Sim, a vida é dura, chorar torna-se um detalhe, e suportar dores... uma obrigação. Até o imbecil mais alienado, já sofreu.
A diferença, é que, a auto-defesa de cada um é relativa.
Os tolos, mascaram sua dor com felicidade, enquanto os não-impetuosos caminham com uma expressão de indiferença. Sim, admito... é pessoal.
Ficar mostrando sua dor, é uma coisa, no mínimo, carente. Carente de afeição, de pena, e de pessoas a sua volta.

Não é decepção, não é mágoa, não é tristeza. Apenas, é um modo de lidar com todas as coisas/pessoas.
Você não espera nada delas; não há ilusão, não há decepção. Soa simples. E é... ao menos, funciona.

"Você deve ter tropeçado hoje, pra escrever sobre tais conclusões, já esclarecidas anteriormente."
Sim, e não só tropecei, como deixei um rastro de sangue na rua. Mas isso, não é nem a ponta do iceberg. E é irrelevante.
A dor não importa. Apenas me deixa intolerante, e intragável. Detalhes...

Não tenho carência, mas sim, um leve arrependimento.
Aprendi muitas coisas, e absorvi-as rapidamente. Contudo, arrependo-me de não ter me livrado de muitas coisas/pessoas que, de fato, não irão acrescentar mais nada em minha vida.
Dirão o óbvio - lamúrias, lamúrias - e tentarão me cruxificar, com algum tipo de tortura psicológica.

Não é a hora.
Não convém.